Este blog é a materialização de duas necessidades humanas: expressar o que nos passa pela cabeça e guardar para consulta futura. Não possuo formação específica sobre as matérias abordadas, logo, este blog é apenas um espaço aberto de opinião.

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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Visita à 23ª Feira de Vinhos do Dão

 

 

A edição 2014 da Feira de Vinhos do Dão aconteceu entre 05 e 07 setembro. Tive a felicidade de poder passar lá no sábado, dia em que a chuva ameaçava aparecer a todo o momento, mas não cumpriu a ameaça nas duas horas que lá estive. A viagem foi familiar, portanto, não podia esperar uma sessão muito prolongada; mesmo assim, devo ter visitado perto de uma dezena de produtores e valeu bem a deslocação.

A expetativa era muito clara, ia para o reino das castas Encruzado e Touriga Nacional, duas das minhas favoritas, portanto, tinha tudo para provar muitos vinhos do meu agrado. Não é objetivo deste post detalhar as provas, mas deixar o registo das principais reflexões.

 

 

Espaço: a praça junto ao município de Nelas é um espaço muito agradável, o acesso é fácil e estacionei relativamente perto. Na própria feira tudo está próximo, temos sombras, árvores e alguns bancos para quem se quiser sentar. Transmite uma sensação de conforto e bem estar muito positiva.

 

 

 

 

 

Produtores: vejo o Dão essencialmente como um conjunto de pequenos produtores, muitos dos quais sem dimensão para os grandes canais de distribuição. Esperava ver nomes desconhecidos e o portfolio completo de outros com distribuição parcial. Se os nomes desconhecidos abundaram, a segunda parte aconteceu de forma pontual, porque, naturalmente, os vinhos disponibilizados para prova são os que pretendem vender e partes do portfolio ficam nas prateleiras mais escondidas para dar a provar a alguns ilustres privilegiados (situação recorrente em certames do género).

 

Vinhos: encantei-me com a grande quantidade de varietais de Encruzado e a diversidade no perfil. Provei uns mais frescos, outros mais minerais, outros com barrica e outros mais fechados, muito interessante. No entanto, o encanto de beber um Encruzado coloca-a, sem qualquer dúvida, no top das castas brancas nacionais (a par com o Alvarinho). Em termos de gosto pessoal, vejo-a com grande potencial para vinhos estagiados em madeira, dadas as acidez, complexidade e estrutura que a casta oferece a quem a quiser trabalhar. Simplesmente maravilhado e rendido.

 

 

 

Nos tintos, senti alguma constância no perfil aromático, com variações mais notórias na intensidade. O que mais se destacou foi a distinção entre segmentos. Se a elegância é o traço forte do caráter da região, à medida que avançamos nas gamas dos vinho as perceções na boca mudam de forma notória. A estrutura de taninos é mais notória na gama média e nos topos de gama temos vinhos apaixonantes, encorpados, quase mastigáveis, com texturas aveludadas da perfeita ligação dos diversos componentes. Encontrei os esperados varietais de Touriga Nacional e uma boa surpresa: Alfrocheiro. Desta, provei alguns que se mostraram vinhos ricos e estruturados, embora menos exuberantes nos aromas face à sua vizinha. Esperava mais Jaen, mas acredito que não tenha ido ao sítios certos para esta casta. Em alternativa, podem ter optado por não os apresentar.

 

 

 

Um evento muito bom, num espaço agradável e com bons vinhos, portanto, quem não desejaria voltar? A dimensão média da feira permite visitar todos os produtores numa abordagem sistemática, tipo começar numa ponta e acabar noutra, embora seja aconselhável um dia inteiro para esse objetivo - mas é alcançável. Nos vinhos, prazer na prova e elegância é o que se deve destacar. E com essas características, como é possível não gostar dos vinhos do Dão? Não os colocar nas nossas preferências? Grande desafio para a região: fazer chegar os seus vinhos a outros locais, pelo menos, do país. Mesmo num país em que 40% dos vinhos vendidos sejam Alentejo.

 

 

 

publicado por momenta às 18:27
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

No Poupar é que Está o Ganho - Paulo Ferreira

 

 

Tudo começa por aqui, pelo menos para quem tem recursos financeiros limitados. Para a nossa existência ser viável, as receitas devem ser superiores às despesas; para se conseguir acumular, tem que sobrar.

Este livro tem mais impacto em quem não controla a sua vida financeira. De acordo com o autor e algumas personalidades que recomendam o livro, este grupo não é tão pequeno como isso. Nesse caso, torna-se importante lê-lo, porque apresenta muitas ideias que podem ajudar a equilibrar a vida financeira.

O livro divide-se em 3 partes principais: formas de poupança, como o dinheiro cresce sozinho e a educação financeira. Todas as partes têm interesse e, certamente, algo para nos dar. Pessoalmente, foi o capítulo sobre a educação financeira dos filhos que teve mais impacto. É algo que se faz de forma intuitiva, quando se gere a satisfação dos caprichos ou se explica o valor e a limitação do dinheiro, mas foi muito engraçado ver este tópico desenvolvido e sistematizado. Deu para confirmar que os meus pais me educaram muito bem (também) na questão financeira – e não precisaram de nenhum livro para isso. Também a organização sob a forma de orçamento despertou uma ideias para o futuro.

Não há muito mais a dizer sobre o livro. Em resumo: considero uma leitura útil, porque mesmo as pessoas mais sensibilizadas para o tema podem retirar ideias novas. Reforço que as menos controladoras sentirão muitas luzes a acender por dentro.

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Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

The Lost Corner - tinto 2010

 

  Vinho The Lost Corner
Tipo / Ano Tinto 2010
Castas  
Região Trás-os-Montes
Produtor Maria Antónia Mascarenhas
 
Opinião Muito bom
Data Prova Agosto 14
Preço Cerca €15,00

 

Primeiro contacto com este The Lost Corner, gama acima do mais conhecido Valle Pradinhos. Rubi ainda com nuances violáceas, aroma intenso, perfil a lembrar o douro, com fruta e especiarias em destaque. Muito bem na boca, com bom corpo, boa estrutura de taninos finos e envolvidos e uma acidez impecável, que confere frescura e equilíbrio ao vinho. Muito gastronómico, tem tudo para ser um sucesso à mesa. Bebi-o com um perú no forno e a harmonização foi ótima: vinho e comida comunicaram bem na boca, sem sobreposições nem antagonismo. Na prova é um vinho entusiasmante, muito agradável nos sabores, fresco e sedutor. Bem conseguido, com preço adequado.

Como vou recordar este vinho: Vinho muito bom, acidez irrepreensível, com harmonização impecável. Preço ajustado para a boa qualidade apresentada. Um vinho que fica na memória.

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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Cabriz Encruzado 2013

  Vinho Cabriz Encruzado
Tipo / Ano Branco 2013
Castas Encruzado
Região Dão
Produtor Dão Sul
 
Opinião Bom
Data Prova Agosto 14
Preço Cerca €7,00 Pingo Doce

 

Já provei algumas colheitas deste vinho da Quinta do Cabriz e sempre se apresentaram em alto nível. Era, no entanto, um vinho de difícil acesso e comprei-o via web na Garrafeira Nacional. Este ano apareceu no Pingo Doce, facto que muito me agradou e o fez entrar no cesto muito rapidamente. Em termos de prova esteve bem, cor citrina carregada, aromas fechados, fresco e muito seco na boca, com toque amargo, final médio. Um perfil um pouco duro, que necessita de comida a acompanhar e talvez algum tempo para limar as arestas. Embora agradável, foi a edição que menos me agradou (das que provei, claro).

Como vou recordar este vinho: Um vinho a acompanhar ano após ano, que teve em 2013 uma edição um pouco abaixo da média.

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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

CARM Rosé 2013

 
Vinho CARM
Tipo / Ano Rosé 2013
Castas Touriga Nacional
Região Douro
Produtor CARM
 
Opinião Muito bom
Data Prova Agosto 14
Preço Cerca €5,00 Pingo Doce

 

O rosado da CARM é outro vinho que sempre me agradou, mas que não encontrava facilmente. Apareceu no Pingo Doce e foi incluído na seleção de férias 2014 (essencialmente brancos e rosados, dado o peso feminino no grupo e estarmos no verão). Esta edição confirmou-o como um dos meus preferidos. Se verificarmos as características organoléticas, não detetamos pontos que o distingam: cor salmonada, aroma com alguma complexidade, corpo médio, boa frescura, acidez equilibrada e final fresco e saboroso (o que consegue é estar bem em todos os aspetos). O facto é que se destaca no prazer na prova. É um rosado que apetece continuar a beber e versátil, já que podemos contar com ele a solo, entradas ou refeições ligeiras. Muito bem conseguido, recomendo a quem gostar do género. Gostei muito.

Como vou recordar este vinho: Simplesmente um dos meus preferidos, com mais uma edição de qualidade.

 

 

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Pequenos Rebentos Escolha 2013

 
Vinho Pequenos Rebentos Escolha
Tipo / Ano Branco 2013
Castas Trajadura / Alvarinho
Região Vinhos Verdes
Produtor Márcio Lopes
 
Opinião Muito bom
Data Prova julho 2014
Preço PVP inf a €4,00

 

 

Este vinho foi incluído numa seleção para uns dias de férias. Férias significa mais oportunidades para provas e outra disponibilidade de espírito para usufruir dos vinhos. Este vinho vem reforçar o caminho de qualidade que Márcio Lopes tem vindo a percorrer enquanto produtor. Na versão brancos, iniciou com um varietal de alvarinho, mas rapidamente apostou num lote tradicional da região dos vinhos verdes (trajadura/alvarinho). A versão 2013 mostra-se um perfeito vinho para o verão, pelo seu carácter verdadeiramente refrescante. O seu grande mérito é conseguir esta frescura com uma acidez muito equilibrada, ou seja, na prova não domina as sensações transmitidas pelo vinho. De cor citrina fechada, mostra aromas cítricos, com nuances vegetais e frutadas. Bem fresco na boca, corpo médio e acidez bem equilibrada, que contribui para um final médio e persistente. Um sinal importante sobre este vinho é a relação com a temperatura. Se abrirmos ao tirar do frigorífico, nos 4/5 graus, a frescura é mais dominante e ficamos apenas com as notas cítricas; no entanto, se o deixarmos aproximar da temperatura mais adequada (mais próxima dos 10 graus), então os restantes aromas revelam-se, conseguimos percecionar o corpo e a degustação é enriquecida. Um vinho com alma de verão, gostei muito.

Como vou recordar este vinho: Vinho com acidez impecável, saboroso e refrescante, perfeito para o verão.

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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Quinta Roques Encruzado : Tira-me do sério

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Adoro este vinho, tira-me do sério. Provei-o no Natal 2013 e gostei muito. Num almoço de família voltou a mesa e foi uma confirmação exponenciada.

Em termos de degustação, o vinho mantém o lado mais frutado do Encruzado (fruta branca, amarela), com ligeiro fumado de barrica. Com bom corpo, excelente frescura e belo final, tem uma presença de boca irresistível. O seu perfil seco pede comida a acompanhar. Este arroz de tamboril harmonizou muito bem, embora a concentração do vinho se tenha sobreposto um pouco no palato.

Excelente, custa cerca de 12,00, Garrafeira Vinho e Prazeres.

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Domingo, 27 de Julho de 2014

Cadão Reserva - tinto 2008

Que bela relação qualidade preço. Por menos de €5,00 temos carácter Duriense, bom corpo, tudo polido, saboroso, muito apelativo.

 

publicado por momenta às 20:37
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Misterio Chardonnay - branco 2012

  Vinho Misterio
Tipo / Ano Branco 2012
Castas Chardonnay
Região Argentina
Produtor Finca Flichman
 
Opinião Muito bom
Data Prova julho 2014
Preço PVP €5,99

 

A presença da Sogrape na Argentina chama-se Finca Flichman, empresa responsável por este Chardonnay que me agradou muito. Um vinho apelativo, com aromas bem agradáveis, que lembram a casta, com o lado frutado a mostrar-se na fruta branca/amarela e tropical ligeiro, ao que se soma um toque fumado. A boca é o seu forte, com um bom corpo, textura cremosa, equilíbrio e frescura qb. O final é médio, mas persistente. Atenção à temperatura, saiu do frigorífico para a mesa sem qualquer apoio adicional para refrigerar, não é vinho para beber a 4º. Mas não foram apenas as caraterísticas próprias do vinho a contribuírem para uma opinião muito positiva. Acompanhou um sushi com um sucesso que me surpreendeu. Vinho e comida conviveram muito bem na boca, especialmente devido às texturas. O corpo e a cremosidade do vinho aliaram-se bem à textura do prato e os sabores equilibraram-se, sem sobreposições ou cada um a manifestar-se por si. Gostei e ficou uma opção a repetir com sushi e experimentar com outros pratos.

Como vou recordar este vinho: Um vinho muito bem feito, com uma presença de boca que vai de encontro ao meu gosto pessoal e fez uma belíssima harmonização com sushi. A repetir e recomendar.

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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Alan Hooper & John Potter - Liderança Inteligente, Criar Paixão pela Mudança

 

 

Este livro chegou às minhas mão numa ação de formação proporcionada pela empresa. Lá veio a habitual pasta, os inúmeros slides, artigos e outros conteúdos programáticos associados. O destino mais habitual, reconheça-se, é um sossegado e quase eterno descanso num armário ou numa prateleira (seja em casa ou no escritório). Mas a questão da liderança interessa-me e nesta fase em que estou a reorganizar as minhas rotinas para regressar às leituras regulares, pretendo ter espaço para livros técnicos, de gestão ou liderança. A temática é incontornável no contexto da civilização, pelo menos, Ocidental, nos últimos 30 anos (digamos que a década de 80 foi o início da aceleração). Este livro aborda dois aspetos indissociáveis para se garantir o sucesso: mudança e liderança, em particular a importância da segunda para vencermos o desafio da primeira.

Uma característica em que o livro se destacou foi a organização. O desenvolvimento da mensagem tem uma sequência lógica e fluida, conseguimos perceber de forma muito fácil a ligação entre os diversos tópicos desenvolvidos. Por outro lado, cada capítulo inicia com os objetivos do mesmo e fecha com um pequeno resumo do que se tratou, o que ajuda imenso a consolidar os conceitos. A abordagem é algo académica, com preocupação nas questões das fontes, definição dos conceitos, etc, sem que se torne maçador. Dado serem Britânicos, muita matéria base vem da realidade do Reino Unido. Quem se interessar pela temática vai gostar certamente.

Os conteúdos principais passam por ideias como a origem da mudança, os agentes da mudança, o papel do líder, características dos líderes que geriram a mudança com sucesso, a evolução dos conceitos sobre liderança ou o fator humano como o que faz a diferença.

Não é objetivo deste post fazer um resumo do livro, mas sim registar as minhas impressões sobre o mesmo. Gostei muito de o ler (com alguns momentos, imagine-se, empolgantes) e, mais importante, retirei diversas ideias para aplicar no dia a dia. Penso que os autores pouco mais pedem a um leitor comum: que aprecie o livro e retire ensinamentos para aplicação prática.

Em jeito de conclusão, reforço a organização global, os conceitos interessantes e a aplicação prática. Este livro foi publicado pela primeira vez em 2000 e, pelo menos em Portugal, ainda tem muito para ensinar às nossas organizações. Significa isto que a mudança continua a ser uma realidade e que, digo eu, a nossa cultura dominante, ao nível do trabalho, ainda não absorveu fatores que determinaram o sucesso noutros cantos do mundo.

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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Jantar "p'ró mundial"

 

 

Coisas da vida... A família aumenta e o que exige de nós acompanha. Resultado: segundo post consecutivo sobre vinho com enquadramento familiar. Parece que conciliar desta forma pode ser uma alternativa. Há que usar imaginação e jogo de cintura.

Com descendência entusiástica pela bola, a inevitável caderneta foi motivo para nos juntarmos com um casal de amigos que está a partilhar esta coisa de colecionar cromos. A convidada gosta de brancos e o convidado de tintos do Alentejo. Espreita-se a amostra de garrafeira que se consegue ter e, tal coelho da cartola, saltam 2 garrafas: Dona Berta Creoula Reserva branco e Monte da Raposinha (saiu com uma edição da Revista de Vinhos). Ambos estiveram à altura do acontecimento, os convivas gostaram e contribuíram para um serão com boa disposição (nota: este evento ocorreu antes da desilusão de junho 2014). O Dona Berta caracterizou-se por um perfil aromático relativamente discreto, com a mineralidade e algum fumo a destacarem-se. Na boca mostrou a acidez típica do Douro, por vezes com notas mais amargas, um corpo interessante e uma textura suave, a começar a mostrar cremosidade. Qualidade elevada para um vinho de gama alta. O Monte da Raposinha mostrou-se também em muito bom nível, conseguindo um equilíbrio que se destacou. Alia intensidade aromática, frescura, textura suave e prazer na prova: um vinho muito bem conseguido.

Enfim, não foi noite de grandes análises e dissecações dos vinhos, mas sim de usufruir deles da forma para que foram elaborados - enriquecer a refeição e o momento de convívio - o que conseguiram. Felizmente, na questão desportiva, a esperança ainda tinha lugar no nosso espírito e não prejudicou o momento.

publicado por momenta às 18:16
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Escolha de um branco para o verão

 

 

Há situações em que somos forçados a engolir em seco, encaixar um soco no estômago sem ripostar, face à forma como somos apanhados. Pois é, certo dia estava a minha cara metade com vontade de beber um “branco fresquinho” e deparo-me com a garrafeira desprovida de vinhos com tal perfil. Sai então a frase curta... cortante... cirúrgica: aqui em casa nunca falta vinho, mas para mim não compras. KO!

Bem, mãos à obra para escolher um vinho para o verão. Dado o gosto pelo perfil mais docinho, lembrei-me da região de Setúbal e dos seus moscatéis. Do hiper lá trouxe o bem conhecido, reconhecido e consensual JP e um vinho que me agradou no ano passado Casal do Cerrado.

Deu-se início ao comparativo para uma primeira escolha. No JP, o moscatel é mais notório, não só no perfume, mas também na acidez, no corpo e numa textura mais gorda. O Casal do Cerrado parece ter uma percentagem maior de Fernão Pires ou a vinificação terá alguma nuance, já que mostra um caráter mais frutado, acidez menos vincada e é um pouco mais magro. A preferência recaiu sobre o Casal do Cerrado, penso que por causa da acidez menos vincada, que equilibra um pouco mais e torna-o menos seco.

Posteriormente, ainda houve uma terceira prova que destronou ambos os vinhos de Setúbal: Adega de Vila Real Colheita: fresco, frutado, equilibrado, fácil e consensual, acabou por ser a escolha. Claro que havia muito mais por onde escolher, mas por aqui se ficou e lá reparei a falha. Estão de parabéns os 3 produtores pelas boas opções que disponibilizam aos consumidores; esta escolha foi por gosto pessoal.

Em casa de ferreiro...

 

publicado por momenta às 08:21
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Sagrado - branco 2012

 
Vinho Sagrado
Tipo / Ano Branco 2012
Castas Rabigato, Gouveio, Viosinho e Códega Larinho
Região Douro
Produtor Quinta do Sagrado
 
Opinião Muito bom
Data Prova junho 2014
Preço Cerca de €8,00

 

Gostei muito deste vinho. Aparenta alguma evolução, pela cor amarela e os aromas complexos e intensos, mas tem uma acidez vincada que equilibra tudo. Na boca a frescura domina, acompanhada pela perceção de um corpo médio, o final é médio com boa persistência. Estas caraterísticas apontam-no como melhor companhia para pratos de tacho e forno do que para refeições mais leves. Abri-o para acompanhar uma raia “à espanhola” e esteve muito bem: a frescura suportou o prato e a concentração os molho e tempero. Vinho e comida entenderam-se e harmonizaram bem. Ainda sobrou um pouco para uma massa singela com atum e cogumelos e aí já falaram linguagens diferentes, cada uma para seu lado no palato, sem harmonia.

Um vinho que tem muito a ver com o meu gosto pessoal.

Como vou recordar este vinho: Complexo e fresco, ótimo para quem aprecia os aromas do vinho. Gastronómico, pede peixes mais trabalhados e não ficará mal com carne. Um todo o terreno. Vai ficar na memória.

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

O Silmarillion - J R R Tolkien

É aqui que tudo começa, este livro é o génesis deste universo criado por Tolkien. Diz-nos como foi criada a Terra Média e os povos que conhecemos na saga O Senhor dos Anéis (elfos, homens, anões, etc...). O livro não é estruturado num único relato, antes pode ser dividido em 5, sendo a quenta silmarillion o prato forte. Podemos começar por ler como Eru Illuvatar criou o mundo; conhecer os Valar, Maias e seus inimigos; viver as emoções da primeira era do mundo, com o apogeu da presença dos elfos na terra média e as terríveis ações de Melkor, tudo associado aos Silmarils forjados por Faenor; a ascensão e queda da casa dos Numenoreans; e, finalmente, a história dos anéis do poder e da terceira era, numa versão muito resumida, mas muito informativa.

Estamos na literatura do género fantástico, com aventuras intensas e dramáticas, guerras, os seres habituais, tudo misturado com uma mitologia própria, de insipiração clássica (pelo menos, aparentemente). Não fugimos à tradicional luta do bem contra o mal, em que os protagonistas do lado negro são mais poderosos e só a união dos opositores, em momentos de desespero, consegue vencer. Focando na história principal, decorre em Beleriand, espaço distinto da zona de ação da Terceira Era, num período em que os elfos a ocupavam com diversos reinos. Os anões já existiam, mas restritos às suas adoradas montanhas e os homens apenas aparecem durante história. Se em O Senhor do Anéis contactamos com os elfos de Rivendel (residência de Elrond) e a Dama Galadriel e os seus elfos da floresta, numa versão charmosa e um pouco transcendental, aqui vemos um povo também com tentações materiais, lutas de poder, traição e grandes convulsões. Todos os acontecimentos aparecem associados à demanda das jóias chamadas silmarils, forjadas pelo elfo Faenor e usurpadas por Melkor, senhor de Sauron, denominado pelo primeiro como Morgoth. A partir desse momento, Fenor e toda a sua descendência viveu com o único objetivo de os recuperar.

O livro trata de grandes acontecimentos, portanto, acaba por não ter espaço para as descrições longas e detalhadas de espaços e guerras. Nisto se distingue da famosa trilogia. Este aspeto apresenta uma consequência curiosa: tem muito “sumo”, quase tudo o que é escrito é importante ou tem impacto no entendimento da ação ou do universo de Tolkien.

Gostei muito e é um livro obrigatório para os apreciadores deste autor e do universo por ele criado. De salientar que, no final, temos como brinde um índice de nomes e notas sobre elementos da língua élfica. Um mimo.

O início da leitura deste livro representou um murro na mesa, já que 2013 e o início de 2014 foi um período muito intenso a nível familiar. Quando decidi que as leituras não podiam continuar paradas e organizei um período de tempo para elas, esta foi a opção para o recomeço. Curiosamente, um livro que tem a ver com o começo, a criação de algo. Coincidências...

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Domingo, 4 de Maio de 2014

Eric Clapton - From the Cradle

E de repente fazemos uma viagem de 20 anos...

Foi aproximadamente nessa altura que a RTP 2 transmitiu as gravações dos ensaios para a tour da altura de Eric Clapton. No anúncios que divulgavam o programa falava-se brevemente da homenagem que o cantor/guitarrista queria prestar a quem inspirou a sua veia blues. Sempre gostei de blues e respeitei Eric Clapton, portanto, preparei o meu vídeo VHS e gravei o programa, amiúde revisitado.

Acabei por encontrar o CD e também o comprei.

Neste difícil 2014 voltei a ele, desta vez de forma mais sofisticada, com o tablet a reproduzir uma versão do youtube. Enfim, 20 anos mudaram o suporte tecnológico, mas não a qualidade do conteúdo e o meu prazer em o ouvir. Excelente.

 

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